Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

 

"Entendem-se apenas com o olhar. Olham-se e sabem ambos que estão felizes. Conhecem-se nos hábitos mais pequenos e podem adivinhar o que o outro fará em cada momento. (...) Brindam outra vez. Sorriem. Comem com apetite. Ele regressa sempre da beira-mar com apetite: com vontade de viver um pouco mais. Ela acompanha-o nessa doce insensatez."

 

Manuel Jorge Marmelo in «O homem da bicicleta musical» in O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo



publicado por Dreamfinder às 09:09
Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
 
 
 
"Dá muito trabalho ser a fada que inventa os sonhos. É preciso ler as histórias que vêm escritas nos livros e decorar as palavras escritas em todos os livros de todas as línguas do mundo. Os sonhos, sabe-se, são poliglotas. (...) Há, para que seja possível sonhar, um exército de fadas sopradoras de sonhos que constantemente se move de um lado para o outro, indo aqui e ali, acolá e além, para que não faltem os sonhos a quem dorme. Vão de cama em cama, de casa em casa, de país em país - e aí abrem as capas vermelhas onde guardam as histórias dos sonhos (e contam e contam e contam as mesmas histórias). Às vezes, aborrecidas, abrem os cadernos de capa preta e inventam sonhos novos, mal acabados, esboços ainda - sonhos trapalhões."
    
Manuel Jorge Marmelo in «Por exemplo: um sonho» -
O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo


publicado por Dreamfinder às 23:28
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

 

"A mulher das castanhas fabrica nuvens com as próprias mãos. É uma artesã de nuvens. (...) É das suas mãos rudes que partem os nevoeiros, essas neblinas frias que, às vezes, invadem o Porto, o ensombrecem e enchem de delicadas sombras. (...) Não precisa de mais do que as mãos para fabricar nuvens, a mulher. Creio que lhe bastaria bater as palmas, agitar os dedos no ar ou esfregar uma mão contra a outra para que as nuvens se libertassem dos seus gestos. Fá-las-ia de qualquer modo, se quisesse. Gosta, porém, de assar castanhas, de encenar este pequeno teatro diante das gentes que vêm sentar-se na esplanada para espantar os calafrios quando o sol rasga o rigor do Outono e parece capaz de aquecer os corpos. É um modo de fabricar nuvens tão bom como qualquer outro."   

 

Manuel Jorge Marmelo in «Quentinhas!» - O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo



publicado por Dreamfinder às 20:41
Terça-feira, 08 de Setembro de 2009

 

"Bem vistas as coisas, esperar pela princesa que há-de vir talvez não seja mais do que uma perda de tempo enorme e inútil. Talvez não venha nunca, não exista ou nem sequer por aqui passe. Talvez a princesa que eu espero seja apenas um sapo-fêmea, eventualmente uma dessas que me coaxa palavras doces e promessas falsas. Um dia destes, temo bem, não aguento mais e deixo-me ir. Esfregamo-nos, eu e ela, no lodo deste lago e, quem sabe?, acabamos por ser felizes para sempre."
 
Manuel Jorge Marmelo in «Sapo procura princesa»
- O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo


publicado por Dreamfinder às 09:52
“Um leitor é sempre um estudante do mundo.” Deborah Smith
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